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Santiago da Guarda é a maior freguesia do Maciço de Sicó, a excepção das sedes de concelho. Apesar das perdas significativas que sofreu entre 1960 e 1991, neste último ano ainda contava 3212 habitantes. O seu nome surgiu em tempos modernos a encabeçar lugares que durante a Idade Média tinham bem diversas e saborosas designações - Façalamim, Rasca Velhas, Campo da Orada, Moita Santa. O complexo monumental de Santiago da Guarda é constituído por uma Torre Medieval e um Paço fortificado do séc. XVI/XIX, edificados sobre uma villa romana, sendo aquela construção um dos raros edifícios civis que ostenta a vieira, símbolo da sua função de apoio do Caminho Português de Santiago, traçado sobre a antiga estrada romana. A sua missão, integrada no Circuito da Romanização, visa mais longe, atribuido-lhe funções de centro de interpretação do património arquitectónico e da paisagem das Terras de Sicó e de Centro Multi-Rotas do Turismo Ambiental. Por baixo da majestosa torre encontram-se os vestígios do átrio da villa romana, com os seus mosaicos quase intactos. O programa de restauro transformou a Torre num observatório da paisagem a céu aberto, bem no centro geográfico do maciço calcário de Sicó, acessível através de uma estrutura metálica de pisos. Os elementos arqueológicos, com valiosos painéis de mosaicos policromados permanecem visíveis em todo o percurso museológico, graças a opção por um piso aberto, que na Torre é uma pirâmide de vidro.O Centro de Interpretação, que resulta da reabilitação do Solar dos Condes de Castelo Melhor, está estruturado com salas de exposição, capela Manuelina, auditório, núcleos documental, multimédia e informático, oficina de arqueologia, pequena residência turística e loja de produtos regionais, organizados em torno de um amplo pátio destinado à animação cultural e ao lazer turístico. As imagens quinhentistas da igreja matriz e as capelas da Granja e da Orada contribuem grandemente para compensar o visitante destes lugares. Perto da Moita, no Carvalhal, encontram-se umas galerias subterrâneas que muito intrigam.Talvez pertençam a villa romana, uma das várias que nesta zona devem ter existido. Escampado de S. Miguel, referido num testamento de 1314 como situado no termo de Ansião, encontra-se próximo da vila e tem hoje o enorme interesse de aí se ter localizado um castro da Idade do Ferro. Ainda mais perto, em Atalaia, identificou-se uma anta, encontrando-se outra no Alto do Pisca, mais para norte. Torre de Vale de Todos é uma pequena povoação que em 1991 contava 500 habitantes.Tem origem medieval e talvez fizesse parte da linha defensiva da Ladeia que integrava Ateanha e Alvorge. Actualmente, ocupa com a Lagarteira o centro da área nordeste desta zona, bem servida de água e marcada por um bonito vale. Entre este e o Dueça, levanta-se Castelo do Sobral, nome bem evocativo do castro que ali existiu. Um pouco abaixo, existem vestígios mais antigos, de ocupação da Idade do Bronze em Venda das Figueiras e de uma anta na Cumeeira. |