Mosaico, da villa romana que se encontra no interior do Solar
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     » A campanha arqueológica

    Paço dos Vasconcelos, villa tardo-romana, zona sul do grande corredor (áreas A e E).


    A intervenção arqueológica na Residência Senhorial dos Condes de Castelo Melhor, ou Paço Senhorial dos Vasconcelos, decorreu entre Maio de 2002 e Novembro de 2005, tendo-se definido os limites sul, oeste, norte e, parcialmente, este da ‑romana dos séculos IV-V, onde se localizaram dezassete pavimentos musivos policromos (fig. 1). Paralelamente aos trabalhos especificamente arqueológicos, decorreu um programa de protecção e conservação das estruturas do edifício romano, bem como o acompanhamento arqueológico dos trabalhos de recuperação da torre quatrocentista e do paço quinhentista.



    Rodrigo Marques
    Arqueólogo
    Câmara Municipal de Ansião
    Imagens: Revista Monumentos 25.

  • Intervenção arqueológica (filme)
     » Intervenção: metodologia adoptada

    Paço dos Vasconcelos, villa tardo-romana, planta de localização dos diversos espaços.



    A Residência Senhorial dos Condes de Castelo Melhor surge implantada numa meia encosta ponto altimétrico médio é de 253.28, segundo a Rede Geodésica Nacional. Encontra-se sobranceira a uma das zonas baixas do concelho (Várzea) e, geologicamente, insere-se nas zonas calcárias ( Período Jurássico. O edifício não tinha, até à data, sofrido qualquer intervenção arqueológica, por isso os vestígios até aqui conhecidos resultavam apenas de descobertas ocasionais A especificidade do monumento, ao nível da organização do espaço, as informações dos vestígios arqueológicos e a intervenção arquitectónica determinaram o modelo de implantação do plano de escavações. Assim, quadriculou-se toda a área exterior, ao longo dos alçados sul, este e norte, bem como, no interior, as alas este, norte, oeste e sul, tendo as duas últimas sido escavadas em Fizeram-se ainda valas de sondagem em torno da torre quatrocentista, junto aos alçados sul e norte da mesma. Por último, o pátio quinhentista e a torre quatrocentista foram também escavados. A escavação obedeceu a um sistema de eixos (M200/P100), tendo como coordenada 0, ao nível planimétrico, a intercepção dos dois eixos (fig. 2). O sistema foi desenhado coincidindo com o alinhamento do edifício quinhentista. Determinou-se o ponto de cota 0 com 254.18 de altitude média, localizado na base daquilo que resta do muro que cercava os terrenos circundantes do edifício (canto sudoeste) e que serviu para cartografar todas as altimetrias. Paralelamente, todos os pontos foram cartografados segundo a Rede Geodésica Nacional. A intervenção consistiu na realização dos seguintes trabalhos: limpeza do terreno e levantamento da camada de gravilha colocada aquando das obras de 4 e consolidação do edifício, em 2000; remoção dos pavimentos em betão e madeira, localizados, respectivamente, nas alas sul e oeste, seguida da implantação das quadrículas conforme a metodologia adoptada o respectivo registo (fotográfico e desenho do plano 0 à escala 1/50 e 1/100, com o levantamento topográfico); escavação e consequente registo arqueológico da estratigrafia (fotografia, desenho do perfil à escala 1/20 e preenchimento duma ficha com a caracterização das camadas) e planimetria (fotografia e desenho do plano à escala 1/20, com levantamento topográfico); protecção e conservação das estruturas descobertas, por forma a decorrerem as obras de recuperação do monumento, a qual se caracterizou por uma intervenção de carácter consolidante dos pavimentos musivos.


    Rodrigo Marques
    Arqueólogo
    Câmara Municipal de Ansião
    Imagens: Revista Monumentos 25.

     » Tipologia arquitectónica da villa
    Paço dos Vasconcelos e área adjacente, levantamento topográfico, implantação das quadrículas.


    Sumariamente, pode dizer-se que a da Guarda se insere na tipologia das (...) de plano compósito Gorges que os três sectores que a integram (átrio/peristilo; villa de Santiago villae-bloco(...), identificada por Jean-Gérard5. Apresenta-se como uma construção em  triclinium conjuntos arquitectónicos que compõem a unidade da /corredor; ala privada) não são mais do que  pars urbana na origem, em termos de organização do espaço, no Fórum de Trajano, em Roma Enquanto que o peristilo (fig. 3) é por excelência o espaço organizacional da dum construído com o intuito de permitir entrada de luz e ar na habitação a entrada do edifício Esta relação átrio/peristilo confere à habitação rural um aspecto extraordinariamente urbano, reproduzindo a clássica tem sensivelmente o dobro da dimensão do primeiro e situa-se-lhe perpendicularmente das colunatas fazia-se de dois modos: nos pórticos norte e sul encontravam-se sobre muretes, que correspondem aos limites norte e sul da área central; a este e a oeste estariam, provavelmente, à cota do pavimento. Deste modo, estes dois últimos lados abriamse para a área central do peristilo, pavimentada em . Este modelo tripartido encontra paralelovilla de Piazza Armerina, na Sicília, e poderá ter6.villa, o pequeno átrio, providoimpluvium rectangular, foi provavelmente7, sendo provável que aí se localizasse8.domus9. O segundo (17,37 x 14 metros)10. No peristilo, o assentamento  opus signinum calcário, em cujos cantos, nordeste e sudoeste, se localizaram dois plintos, que provavelmente serviram para suportar peças escultóricas. Foi a partir deste espaço que se organizaram as diferentes áreas funcionais do edifício romano. Assim, adossado ao lado norte do peristilo desenvolve-se um grande corredor 4,89 metros de largo e 19,85 de comprimento, segundo o sentido este/oeste, que marca uma remodelação contínua da à ala privada da habitação, que se situa a norte, onde se localizam os do peristilo abria-se um de três espaços, que deverá ter tido uma função social (fig. 6) e ter sido utilizado como sala de recepção dotada duma zona de culto Daí talvez o facto de se situar no canto sudoeste da área sul uma pequena abside, que poderia servir para alojar qualquer objecto relacionado com o referido culto. Para além disso, as dimensões das duas áreas, conjugadas com o número de vãos que se encontram na estrutura que as define respectivamente a sul e a norte, fazem supor um espaço que foi construído para permitir a circulação e acolher um grande número de pessoas.exaedra (área D).triclinium, centradohypocaustum e o praefurnium13 (área M). Para instalar14 (áreas L, R). Um pequeno corredorpars urbana (áreapraefurnium  na fachada sul da considerá-lo como área reservada aos criados. A ao desnível natural do solo, apresentando, por isso, vários níveis que parecem estar relacionados com os diferentes sectores do edifício. Assim, o mais elevado corresponde ao átrio tetrástilo, onde se considera ser a entrada; segue-se-lhe a área do peristilo e os espaços relacionados com a função social, para o qual se abrem (áreas D, L, M, R, P/S); para norte surge um novo desnível marcado pelo grande corredor e pelos villa. Este facto levou-nos apars urbana tem cerca de 1200 m² e foi adaptada  cubiculae canto nordeste e que corresponde a um espaço inderterminado (área F). ; por fim, um último desnível, localizado no Os outros dois espaços encontravam-se respectivamente nas galerias este e sul, constituindo o primeiro, pela dimensão e localização, uma O terceiro espaço corresponde ao no pórtico sul, para o qual se abria, cujo pavimento era parcialmente aquecido, sendo ainda possível observar o estas duas estruturas, houve a necessidade de rebaixar aquele espaço, relativamente à restante área. A ladeá-lo estão duas salas absidadas, que poderão ter funcionado como espaços de apoio (área Q), a julgar pela sua planta alongada, fazia a ligação entre a galeria este do peristilo e um espaço que se localiza no canto sudeste da N), com uma passagem que permitia o acesso ao e decorada por um conjunto de lajes em11 (fig. 4), compars urbana para norte. Este servia de ligaçãocubiculae (fig. 5). Para o pórtico oeste12.  

     

    Rodrigo Marques
    Arqueólogo
    Câmara Municipal de Ansião
    Imagens: Revista Monumentos 25.

     » Cronologia
    Paço dos Vasconcelos, villa tardo-romana, zona noroeste do grande corredor (áreas A e J).


    A proposta apresentada fundamenta-se na análise dos pavimentos musivos, na selecção de alguns materiais recolhidos em estratigrafia, nomeadamente a colecção de moedas dos séculos IV-V, e na classificação de alguns fragmentos de Os pavimentos musivos da Guarda inserem-se no último dos três grandes períodos dos mosaicos na Península Ibérica decoração em tudo semelhante à utilizada na Rabaçal, no concelho de Penela, cujos mosaicos estão datados de finais do século IV ou inícios do V como nas demais Ibérica. Ali está presente o geometrismo como característica principal da decoração daquele período, denotando-se um certo barroquismo, patente nas composições carregadas de figuras, sem espaços livres e insistindo nas decorações geométricas, o vacui A técnica empregue na construção do edifício, denominada atribuir-lhe a mesma cronologia, pois como se sabe vulgarizou-se naquele período. A existência de vários espaços em abside, uma solução arquitectónica comum do Baixo Império de aquecimento ( também neste período, reforça ainda mais aquela atribuição cronológica. Para além disso, a maior parte dos numismas é da segunda metade do século IV. Um dado seguro é a construção ter sofrido uma profunda remodelação. É visível o abandono, reutilização e destruição de estruturas mais antigas, no levantamento de outras mais recentes. Por exemplo, a oeste, num dado momento, diminuiu-se a área de ocupação da construção dum grande corredor paralelo ao pórtico norte do peristilo implicou a destruição de espaços que já existiam. O conjunto de dados apresentado permite situar cronologicamente esta estação nos séculos IV-V. No entanto, a cronologia desta ser estabelecida de forma mais precisa quando estiver concluída a triagem e o estudo dos materiais recolhidos em estratigrafia. terra sigillata.villa de Santiago da15, sendo a suavilla do16, bemvillae do Baixo Império, na Penínsulahorrorpróprio do Baixo Império17.opus mixtum, permite-nos, também,18, e de salas com sistemahypocaustum)19, vulgarizadaspars urbana. Por outro lado, a norte, avilla tardo-romana poderá ser estabelecida de forma mais precisa quando estiver concluída a triagem e o estudo dos materiais recolhidos em estratigrafia.
     


    Rodrigo Marques
    Arqueólogo
    Câmara Municipal de Ansião
    Imagens: Revista Monumentos 25.
    Paço dos Vasconcelos, villa tardo-romana, canto noroeste do grande corredor (áreas A e O).
    Paço dos Vasconcelos, villa tardo-romana, zona sudoeste (área S).
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