
Paço dos Vasconcelos, execução da estrutura da cobertura.
Destacando-se do restante conjunto edificado pelo seu desenvolvimento em altura, a torre constitui o elemento dominante da paisagem. Este facto é tanto mais acentuado pelo seu carácter autónomo, uma vez que goza de um acesso independente. Constituía, antes da intervenção, um volume vazado, sem pisos intermédios ou cobertura, memória que se assumiu manter. A intervenção teve então como objectivo dotar esta estrutura de acessos verticais e pisos intermédios, de forma a poder constituir um posto de observação da paisagem. A escavação arqueológica revelou estruturas romanas ao nível do piso inferior — até então aterrado —, facto que implicou também a criação de um acesso e de uma estrutura que permitisse a sua observação. A necessidade de criar de uma estrutura de pavimentos e acessos verticais teve como condicionante, antes de mais, a estabilidade da própria torre e o respeito pela manutenção da sua tipologia arquitectónica. Já a solução formal dessa estrutura decorreu das exigências funcionais propriamente ditas, como as escadas, o acesso à fenestração existente, o aproveitamento dos panos interiores das paredes para eventual suporte de painéis informativos, a observação das estruturas do piso inferior e a manutenção do vazado central actual. Simultaneamente, foi ponderada a natureza dos materiais de construção a utilizar e respectiva solução estrutural, de forma a conciliar os aspectos construtivos com as exigências funcionais. A solução adoptada passou pela implantação de uma estrutura metálica aparafusada às paredes existentes, que funciona como apoio dos pisos, escadas e clarabóia de iluminação e ventilação do piso inferior. Salvaguarda-se assim de apoios, o pavimento deste piso, de modo a não interferir com as estruturas arqueológicas. Por motivos de preservação destes elementos, o piso da entrada é estanque, tendo sido criado um sistema de drenagem de água da chuva directamente para o exterior através de caleiras articuladas com a estrutura do pavimento. Os pisos superiores são em grelha metálica, permitindo a passagem e filtragem da luz natural. A clarabóia piramidal, criada no piso de acesso, tem então a tripla função de permitir a visualização, a iluminação e a ventilação das estruturas do piso inferior, implantada no quadrado central vazado, sob a escada, oferecendo o circuito do seu perímetro. Foi criado um alçapão de acesso ao piso inferior — apenas para efeitos de operações de manutenção das estruturas ou visitas restritas de peritos — com ligação a uma escada vertical suspensa, do perfil periférico do pavimento do piso da entrada. A intervenção foi complementada com a criação de uma escada de acesso à plataforma da porta da torre em blocos maciços de pedra, dado não existirem elementos preexistentes que assegurassem o vencer deste desnível até à plataforma da entrada. O maciço foi objecto de consolidação, incluindo o preenchimento de lacunas com pedra de natureza semelhante às existentes. Toda a superfície das paredes foi objecto de tratamento de limpeza, desinfestação, aplicação de herbicida e refechamento de juntas. O preenchimento dos vãos de janela dos dois pisos intermédios foi objecto de desmonte das alvenarias aplicadas aquando das obras de consolidação, passando a permitir um franco acesso. A drenagem do interior da torre é complementada com um dreno periférico no perímetro exterior, de forma a evitar a acumulação de água à cota dos achados arqueológicos. Luísa Cortesão Arquitecta Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais Imagens: Revista Monumentos 25 - DGEMN. |
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Paço dos Vasconcelos, muros de reforço de fundações.
Retomou-se a inclinação ainda presente nas empenas interiores, sendo o seu remate sobre caleira periférica, excepção feita na fachada poente, onde as cornijas obrigaram à manutenção do prolongamento da superfície em chapa. A caleira veio permitir absorver os múltiplos empenos das fachadas, rematados por pestana inferior de selagem com a alvenaria. Na ca- pela, uma pequena cúpula sobre a abóbada completa o conjunto. Toda a superfície das fachadas foi limpa, e aplicada uma argamassa pré-doseada, à base de cal, no refechamento das juntas. O traço foi testado e afinado tendo como referência os trabalhos realizados na torre, em função da sua capacidade de aderência ao suporte, resistência mecânica, granulometria e cromatismo. As cantarias trabalhadas foram também objecto de limpeza, aplicados elementos novos — em pedra de igual natureza — nas lacunas, e repostos elementos em falta no seu local de origem. Optou-se pela aplicação de um consolidante mineral no caso das superfícies em acelerado estado de degradação, sendo a sua evolução acompanhada, para eventual intervenção posterior complementar. O desentaipamento de alguns vãos, bem como a correcção das cotas altimétricas de outros que não permitiam passagem, foi também efectuado, permitindo-se o percurso e a visualização das estruturas da vila romana. No caso dos vãos de janela a reabrir, assim como no caso das janelas em que não existia cantaria de guarnecimento, foram aplicadas chapas de aço com 1 centímetro de espessura em toda a largura da parede, a fim de constituir uma superfície lisa para aplicação dos caixilhos. A necessidade de conciliar a observação das estruturas arqueológicas com a passagem entre os diversos espaços levou à colocação de passadiços em estrutura metálica. O seu dimensionamento teve em conta os ângulos de visão e sua conciliação com o percurso de visita. Uma grelhagem metálica, idêntica à aplicada na torre, permite a circulação e a observação das estruturas romanas. Luísa Cortesão Arquitecta Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais Imagens: Revista Monumentos 25 - DGEMN. |
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