CONSERVAÇÃO E VALORIZAÇÃO

 » Roteiro das Terras de Sicó

Este "sítio" deve uma parte significativa dos seus conteúdos ao Roteiro "O Oppidum de Conimbriga e as Terras de Sicó", editado em 1996 e cuja ficha técnica se anexa, como forma de agradecimento aos seus autores.

Na versão da NET sofreu actualizações e desenvolvimentos, adequando-se ao carácter de Roteiro de promoção do Turismo Cultural, de Natureza e em Espaço Rural

O "site" actual foi concebido e realizado por António dos Santos Queirós com o apoio dos serviços técnicos da LAC, de Helena Ferreira e da empresa "wservir, marketing e serviços de web, Lda."

Para a actualização da informação turística contribuiram os formandos do Curso de Animação Turística:

O Programa POSCI e a Comunidade Europeia co-financiaram o projecto.

Edição do Roteiro "O Oppidum de Conimbriga e as Terras de Sicó"

Liga de Amigos de Conimbriga .Centro de Formação de Professores de Conimbriga - CEFOP. Conimbriga

Coordenação Científica: Lúcio Cunha: Adília Alarcão. Jorge Paiva

Textos: Adília Alarcão. Lúcio Cunha. Teresa Mouga. Armando Carvalho. António dos Santos Queirós. Raquel Vilaça

Colaboração: Jorge Alarcão. João Marujo

Fotografia: Paulo Magalhães

Cartografia: Rui Ferreira de Figueiredo. Lúcio Cunha

Direcção Gráfica: Joana Lamas

Coordenação e Planeamento do Projecto: António dos Santos Queirós. António Santos Veloso

Arquivo Fotográfico: Liga de Amigos de Conimbriga/Santos Queirós.Museu Monográfico de Conimbriga. Paulo Magalhães - páginas 30, 31, 51, 52, 63, 74. Miguel Pessoa - página 55

Processamento de Texto: Maria Alice Gonçalves

Depósito Legal: 106181/96

  • Site do Roteiro das Terras de Sicó
     » As ruínas: antecedentes, projecto e obra
    Conímbriga, praça do fórum, vista desde a entrada.
    Revista Monumentos 25
    DGEN





    A primeira intenção de consolidação que levou, em 1930, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a promover obras de limpeza e fortalecimento de alguns trechos da muralha romana de Conímbriga rapidamente se estendeu aos vestígios entretanto escavados e, nas duas décadas seguintes, a DGEMN realizou um extenso programa de reconstrução, onde a vontade de restauração se sobrepunha ao rigor da investigação. O programa delineado pelo arquitecto Baltazar de Castro, director da Secção Norte dos Monumentos Nacionais1, encontrava em Vergílio Correia, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e director do Museu Nacional de Machado de Castro, o apoio da história e da arqueologia2. Às largas faixas de escavação, que traziam à luz do dia os vestígios das edificações soterradas, correspondiam acções de valorização, com levantamento de paredes e colunas, para tornar os vestígios descobertos mais expressivos e mais fiéis à planta original. (...) Trabalhos definitivos? Sem dúvida. Após tantas e tão descontinuadas tentativas, impunha-se a realização de uma obra completa, sem movimentos de hesitação ou de retrocesso, e que não deixasse atrás de si antigos ou novos problemas — obra de conclusão, em suma (...)3. Reconstruídas as estruturas escavadas, Conímbriga atravessou um período de acalmia nos trabalhos arqueológicos, a que não foi alheia a situação económica e social vivida no país e a inesperada morte de Vergílio Correia, em 1944. Só a partir de 1955 são retomados trabalhos significativos em Conímbriga. Um novo impulso foi dado às escavações, agora com a preocupação de um maior rigor na sua realização, e iniciaram-se as campanhas de restauro dos mosaicos. Traçaram-se também as linhas de orientação para um plano geral de valorização: definiu-se a área de protecção e vedou-se todo o recinto, procedeu-se à aquisição de terrenos e lançou-se o programa de criação de um equipamento de apoio ao público e aos serviços, que seria o futuro Museu Monográfico de Conímbriga. Protagonizaram este período, de acesas e interessantes polémicas sobre a intervenção, Amoroso Lopes, arquitecto que chefiava a Quarta Secção da Direcção dos Monumentos Nacionais, em Coimbra4 , e Bairrão Oleiro, arqueólogo e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, entretanto contratado para prestar colaboração aos técnicos da DGEMN5. Em 1964, uma missão arqueológica coordenada pela Universidade de Bordéus, pelo Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e pelo Museu de Conímbriga iniciou novas campanhas de escavação, sob a direcção de Bairrão Oleiro, Robert Étienne e Jorge Alarcão. Os trabalhos, que decorreram até ao ano de 1971, puseram a descoberto o centro monumental da cidade romana e um conjunto de ínsulas, na sua proximidade. A falta de meios para intervir na área escavada ditou que a mesma permanecesse vedada ao público por mais de três décadas. Os anos setenta e oitenta do século XX corresponderam a um período de pouca intervenção de reconstituição nas ruínas, tendo sido realizadas as infindáveis operações de conservação necessárias. São excepção, neste período, a repavimentação da praça do fórum e a construção da cobertura da Casa dos Repuxos6, acções que o extinto Instituto Português do Património Cultural realizou no ano de 1986, com projecto de Luís Marreiros. Em 1996, o Instituto Português de Museus (IPM) deu início a um novo Programa de Conservação e Valorização das Ruínas de Conímbriga e propôs a intervenção em três edifícios públicos da cidade: o fórum, as termas a sul do fórum e as termas do aqueduto. A DGEMN regressa a Conímbriga, desta vez assegurando a coordenação e a fiscalização da obra. Este projecto, que se integra numa política de planeamento e gestão territorial mais alargada7, procurou responder a um programa e objectivos claros, de que salientamos: a preservação total dos vestígios escavados, o restauro mínimo e a fácil reversibilidade, a criação de meios de visita compatíveis com a preservação dos referidos vestígios e a adaptação dos novos espaços exteriores reconstituídos a funcionalidades diversas, nomeadamente espectáculos, com a presença discreta dos equipamentos de apoio necessários. Procurando reverter o rumo das intervenções dos Monumentos Nacionais, esta proposta pretendeu evitar a chamada ruína artificial, propondo uma leitura da ruína mais clara e objectiva, onde as reconstituições são perceptíveis e a reversibilidade garantida. No fórum, a praça viu aumentada a sua superfície lageada, à cota superior, que correspondia a um passeio porticado; fora dos limites da área reconstituída, é possível observar os vestígios das tabernae e da basílica e cúria do fórum primitivo. No topo norte, por intermédio de uma passarela, o visitante é convidado a percorrer o espaço do criptopórtico flaviano e a visualizar o bairro indígena que coexistiu com o fórum de Augusto. Este bairro foi protegido por uma cobertura metálica, reconstituindo a superfície do temenos do fórum que determinou a sua destruição. Num dos ângulos da praça, com o intuito de fornecer um indicador da escala do monumento, decidiu-se levantar uma parte das estruturas desaparecidas. A nova plataforma reconstituída, sobrelevada, permite contemplar os vestígios dos dois templos sobrepostos. Já nas termas a sul do fórum foram revitalizados os espaços exteriores que constituíam o solarium e a palaestra, mantendo-se o núcleo do bloco termal sem intervenção. No solarium, procedeu-se à repavimentação da área envolvente ao natatio e, enquadrados por um plano de parede reconstituído, foram instalados dois pequenos equipamentos de apoio, para bar e sanitários. O acesso à palaestra das termas flávio-trajânicas foi realizado através de uma passarela, que retoma o antigo passeio porticado existente. Sob o seu espaço de chegada, em varanda também porticada, localizou-se um bastidor de apoio a espectáculos. O plano do pavimento original da palaestra foi reconstituído através de uma cobertura que permite preservar e visitar o bairro indígena, que sob ela ficou soterrado, aquando da sua construção. As termas do aqueduto foram tratadas como espaço de apoio a actividades várias, construindo-se um dispositivo de bancadas, com estrutura leve e degraus de madeira. Esta intervenção é caracterizada pela reconstituição de pavimentos e alteamento de muros com blocos de betão branco, a sugerir as volumetrias desaparecidas. Uma manta de geotêxtil, entre as estruturas originais e as novas construções, garante a reversibilidade pretendida. As coberturas realizadas, para além de garantirem a protecção dos bairros indígenas existentes, repõem os níveis dos pavimentos romanos. Os circuitos de visita são realizados em passarelas de estrutura metálica, sendo as suas fundações encastradas directamente na rocha.


    Pedro Alarcão
    Arquitecto
    Docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto

    Revista Monumentos 25
    DGEM
    Conímbriga, reconstituição parcial do fórum, vista desde o criptopórtico.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, reconstituição parcial do fórum, vista de noroeste.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conimbriga, planta do fórum.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, alçado-corte do fórum.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, palestra das termas a sul do fórum, vista desde o pórtico de acesso.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, palestra das termas a sul do fórum, vista de nascente.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, vista do fórum, a partir das termas a sul.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, alçado-corte das termas a sul do fórum.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, planta das termas a sul do fórum.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
     » O posto de turismo de Conimbriga:
    Conímbriga,posto de turismo.
    Revista Monumentos 25
    DGEN




    O edificado que hoje constitui o Museu Monográfico de Conímbriga é resultado de sucessivas ampliações e remodelações. O edifício primitivo, projectado por Amoroso Lopes em 1959, foi implantado numa zona que não comprometesse uma futura ampliação e era formado por um único corpo, dividido em três zonas distintas. Com o crescente aumento das campanhas de escavação e a necessidade de investigar e conservar os vestígios encontrados em Conímbriga e por todo o país, o espaço disponível rapidamente se tornou insuficiente e, em 1974, foi novamente um arquitecto da DGEMN, António Portugal, chamado a projectar a nova estrutura. Em torno de um pátio de sugestão romana foram então construídas três novas alas que ampliam a área de exposições e albergam o auditório e uma zona de quartos para investigadores. Mas esta intervenção apenas corresponde a uma primeira fase do programa de ampliação, dado que, após alguns anos de dificuldades e impasse na caracterização dos diversos espaços expositivos, foi Fernando Lanhas contratado para unificar o conjunto e projectar o espaço interior. O novo museu reabriu as portas, com a sua exposição permanente, em Abril de 1985. A área exterior envolvente foi, na mesma altura, alvo de uma intervenção paisagista desenvolvida por Gonçalo Ribeiro Telles e Francisco Caldeira Cabral. Em 1997, um protocolo entre o IPM e o Fundo do Turismo lançou um projecto para instalar um posto de turismo em Conímbriga. Esta nova estrutura, construída seis anos mais tarde, implantou-se no topo nordeste do pátio de recepção do museu e permitiu concentrar num só espaço a informação turística da região e uma segunda bilheteira, tendo como intenção criar um elemento neutro, que não interfirisse com a linguagem arquitectónica existente. Duas paredes cegas definem o volume na sua relação com o exterior, sendo o espaço interior apenas perceptível on-line. quando se atravessa a zona coberta que dá acesso às ruínas. Construído em estrutura metálica, tem as suas paredes exteriores de tijolo revestidas a calcário e a cobertura em telha autoportante. No seu interior, com pavimento em mármore e paredes e tecto pintados, um balcão, um sanitário e um pequeno arrumo garantem o serviço prestado. Sobre o balcão, três entradas de luz marcam a passagem do dia e, à sua frente, uma prateleira de mármore constitui o suporte para os computadores destinados à consulta turística.


    Pedro Alarcão
    Arquitecto Docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto

    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, planta e cortes do posto de turísmo.
    Revista Monumentos 25
    DGEN
    Conímbriga, planta de localização do posto de turísmo; evolução das intervenções realizadas entre 1962 e 2004.
    Revista Monumentos 25
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