» ROTA DO PATRIMÓNIO NATURAL E CULTURAL DE DÃO-LAFÕES_VALE DO V

(Em construção) 

Na Serra da Lapa, já em terras de Sernancelhe,  nasce o Rio Vouga. Na Eirada, Aguiar da Beira, o rio Dão.

Circuito dos Três Rios. Aguiar da Beira: Dão, Vouga e Távora

Percurso do Rio Dão

Partindo de Aguiar da Beira ou de Formos de Algodres, pela EN 330, segue-se para Penaverde, antiquíssima povoação onde se achou uma edícula romana ( depositada no Museu Histórico e Arqueológico de Viseu): é um monumento votivo constituído por um frontão semi-circular debaixo do qual se abrigam duas árulas esculpidas em baixo-relevo. Na árula da direita estão gravadas as letras SE/NI/O C/OR, de tradução impossível neste momento. A vila medieval recebeu foral de D. Sancho em 1240, de  D. Dinis em 1278 e D. Manuel 1514. Defronte do pelourinho, construção em granito do séc. XVI, o chafariz e os tanques ocuparam o lugar da antiga casa da Câmara e adossada à casa Paroquial, é visível a Sala da Torrinha, torre quadrangular que serviu de aljube eclesiástico. Caminhando pelas suas ruas encontramos casas seiscentistas, memórias do Alto da Forca e das quintas senhorias.

Subimos até ao Castro da Gralheira e depois até Moreira, até às cruzes da Via-Sacra, expostas nas paredes da capela de São Domingos e descemos por estrada bordejada de leiras cultivada e  prados verdes.

Continuando o caminho, regressamos à EN 330 e, na estrada para Carapito, havemos de encontrar a Urgueira -  topónimo de urze, com o Cruzeiro, a capela de Santo António, o tanque e o forno comunitário. sustentada em laços familiares. Viramos pela EM  para Feitas, para encontrar o mesmo cenário e origem nas antigas Quintas, e a sua ribeira, outrora força motriz dos moinhos, alminhas centenárias e a capelinha. Voltamos à EN 330 e seguimos por EM em direcção a Mosteiro para visitar a capela de Nossa Senhora de Lurdes e a sua fonte antiga, ainda hoje lugar feira quinzenal do queijo e onde avultam as ruínas de abandonado mosteiro brasonado. Segundo a tradição, existia aqui um Convento de beneditinas, feitas prisioneiras pelo grande comandante militar muçulmano Almançor, em 985, mas logo depois libertadas pelos cristãos na batalha de Veiga da Matança.

Prosseguimos para o Prado, também com o forno do povo e capela em honra de Santa Bárbara. E chegamos ao rio  de Carapito, afluente do Dão e aos seus os moinhos, ainda em funcionamento. A frescura do quadro paisagístico vem das lameiras, dos juncos, freixos e amieiros que revestem as margens, da água límpida onde rodam os moinhos Deixando para trás outros moinhos abandonados chegamos a Valagotes para visitar a "Laije" das malhas e desfolhadas, rodeada pelo forno do povo, a modesta capela de Santo António e notáveis peças da arquitectura vernácula_casas de pedra solta, pátios calcetados de estrume, cabanais que guardam a lenha. A Igreja nova é obra do povo e dos dinheiros de além mar.

Atravessa-se a serra para Forninhos e ao encontro da ermida de Nossa Senhora. Dos Verdes (Séc.XVII-XVIII). Paisagem de verdes dos prados, vinhas e terras de semeadura e densos arboredos, protegida por um cruzeiro de granito. Lugar de romaria onde se roga a protecção das culturas e dos frutos, um quadro agradece o milagre de 1720, quando a Virgem aplacou uma praga de gafanhotos. Tecto de caixotões pintados e o altar mor de talha dourada enquadram a imagem da Senhora. Regressamos à povoação e ao Largo da Lameira e surpreendem-nos os jardins de palmeiras, protegidos por gradeamento de ferro, que perpetuam as viagens remotas dos seus construtores. Uma unidade de Turismo de Habitação, cruzeiros históricos e singelas alminhas, a Igreja, remodelada em 1797 e o lagar, completam o quadro do seu património.

A estrada conduz-nos finalmente ao Rio Dão, revestido de salgueiros e amieiros, que protegem o rio e a ponte. Ali se pesca e nas margens férteis cultiva-se o milho e pastam rebanhos.

Chegados a Dornelas para conhecer a pequena Capela de Santa Luzia e a igreja, a cruz a encimar a frontaria com pinturas e talha dourada, esculturas  das padroeiras e do orago São Sebastião. Completam o património arquitectónico as casas grandes de Coelhos e Varelas e dois belos exemplares de alminhas talhadas no granito. Dali vamos à Lage, capela de S. António de Lisboa e cruzeiro. Perto do lugar da Colherinhas o alto da capelinha da Santa Bárbara dá-nos uma vasta panorâmica da paisagem. Nas casas de entrada da povoação, à nossa direita, descobrimos duas sepulturas medievais escavadas na rocha, séc.   , e na estrada para a vacaria, outro magnífico túmulo. Em Colherinhas ergue-se ainda a capela de Nossa Senhora do Ouvido ou Senhora das Neves situada junto da escola e do coreto. No regresso a Dornelas, olhamos as hortas dos vales, rodeados de pinheiro bravo, e, já de saída, as encostas onde se alinham os vinhedos das Quintas do Dão. No rio as lontras permanecem invisíveis, apenas um velho moinho e a sua represa, nos convidam a descer a margem.

Viajamos agora para a Cortiçada. No largo está o cruzeiro, com vestígios do relógio de sol. À sua volta, casas fidalgas em declínio, casas rústicas, de bonitas varandas, fechadas há muitos anos, pátios e quintãs, a igreja, o velho freixo onde o povo ainda se junta e, em redor, a povoação nova. No vale, surgem junto de um casebre três sepulturas rupestres. Nesta freguesia se situa a estação termal das Caldas da Cavaca, que visitaremos noutro percurso.

A viagem termina em Valverde, povoado antigo e de memórias fidalgas. Na praça janelas e portadas renascentistas, um brazão na esquina, uma alta escadaria e a igreja de janelas e portas Renascentistas e no seu interior o retábulo de Maria e os Apóstolos, sofrendo a Crucificação. No adro a coluna e a taça onde assenta a cruz. Alminhas e a fonte do Corno de Boi, a fonte de mergulho, com seu arco românico e terraço. Novos cruzeiros e a Capela de Nossa Senhora de Fátima.

De novo na EN 330 e no caminho para o Barracão, vê-se, à direita, a capela de Santo Antão, com sete sepulturas escavadas na rocha, séc. VI e XI (?). Estamos de regresso a Aguiar da Beira.

Percurso das Caldas

 Saindo de Aguiar da Beira pela EN 229 em direcção a Viseu depressa se alcança Coja, nome de terra e do rio, que desagua no Dão, com a sua capela de Nossa Senhora do Rosário e belos exemplares casas rurais de dois pisos.

Regressamos à estrada a Pinheiro, procurando novos miradouros "entre a bouça e o pinhal", como escreve Aquilino Ribeiro, na sua prosa. A sua igreja é um belo exemplar da arte barroca. Cruzeiros e alminhas alongam-se ao longo da dos povoados para onde nos conduz a estrada serrana: Cepos com a capela da Senhora do Livramento ou São Geraldo, Lameiras, a Quinta dos Padres, o portal da entrada encimado por singular Trindade e  um relógio de sol, e a Quinta de Matos.

De regresso à estrada EN 229, tomando a direcção da sede do concelho (ou vindos de Sátão e Viseu pela mesma estrada), descemos para as Caldas da Cavaca, que renascem de um longo abandono, para se transformar num dos projectos mais modernos do INATEL. Logo encontramos a Ponte Portucalense ou do Candal, denominada "ponte romana" mas com características do período medieval, sustentada por dois arcos de volta perfeita, provida de talha-mar, sem guardas e com o pavimento lajeado em granito. Em torno dos balneários termais, frondosos jardins e arboreto. No topo de monumental escadaria, a capela da Nossa Senhora dos Remédios, rodeada de árvores centenárias, de amplas vistas para a cascata da Cavaca e para as penedias. Neste entorno está montado um Circuito Pedonal.

No povoado da Cavaca, do outro lado do morro, nova queda de água e o rodízio do velho moinho, com o canastro que guarda as espigas. Nas Caldas da Cavaca um ambicioso programa de reabilitação assenta na reconstrução de balneários e de modernas unidades hoteleiras com SPA, estruturas de animação turística e de turismo para pequenos seminários e congressos, rearborização das encostas e melhoramento das acessibilidades.

Regressamos a Aguiar pela EM por Coruche, com a sua Igreja matriz de uma só nave dedicada a São Pedro, e um conjunto de "casas de emigrantes" que vale a pena observar atentamente, pela diversidade dos seus estilos e a qualidade de algumas construções. Corre por ali a ribeira da Teixugueira entre memórias de velhos moinhos, alminhas e cruzeiros e da batalha entre liberais e absolutistas e da  vitória decisiva  do Conde de Vila Flor, em 9 de Janeiro de 1827.

Percurso do Almançor

De Aguiar da Beira percorremos outra vez a N 330, buscando lendas e lugares das antigas crónicas. Dali se chega, por EM   a Moçafra, talvez o lugar mais antigo da freguesia, com origens mouriscas. E visitamos Soito, lugar onde a lenda situa uma grande batalha entre cristãos e mouros comandados por Almançor. Do seu solar resta o belo brasão e alguma traça original. Permanece um cruzeiro, a Igreja Matriz de que S. Sebastião é padroeiro, tecto de caixotões e a iconografia da Cruz de Cristo e o Escudo, altares de talha.

No percurso da EN 330 para o Eirado, tomamos a EM    para Carregais, para visitar o calvário em granito, o poço, o que foi forno do povo e belos varandins de madeira na rua que nos leva à capela de S. João. Voltando ao largo do Carvalinho, outro cruzeiro, uma decorada fonte e uma valiosa casa da Beira, com o típico alpendre. Descendo a rua, a antiga fonte do Outeiro. Do Eirado seguimos para Antela e para a Barranha, com as suas casas de granito e a capela de Santo António, mas sobretudo para conhecer a nascente do rio Dão.

O Eirado é a próxima paragem, para visitar a Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora da Conceição. No largo, a capela de Santo Amaro, com Santo António à porta, que  acolhe uma missa campal  a 15 de Agosto de cada ano. No seu terreiro, um pinheiro secular e um singular chafariz cilindrico-cónico. Na esquina da rua Torta, uma curiosidade, o "Eirado", designação de um anónimo rosto esculpido e adornado de vistosa gravata.

De regresso à estrada municipal, desviamos para Ancinho para visitar a capela do Senhor do Castelinho, datada de 1736, com a imagem do Senhor esculpida na própria rocha.

Do Eirado, seguimos pela N 330 até Carapito, ( ou vindos de Trancoso, pela EN 226), notável pelos diversos patrimónios que marcam o devir dos períodos históricos: A aldeia teve a sua origem nos primitivos castros. Da Idade Média emergem lagaretas e casas quinhentistas com os seus portais chanfrados e símbolos judaicos dos cristãos novos. Na praça, um pelourinho construído em granito no séc. XVI, remate em gaiola estilizada, ostentando no topo uma bandeirola metálica., a antiga casa paroquial e a Igreja de finais do século XVII, ainda com vestígios da época românica. No interior há imagens de grande valor, como a de São Pedro de Verona e as pinturas dos altares laterais. Caminhando, encontramos a capela de Nossa Senhora do Rosário, no inicio da Carreira de Cima, acompanhada do que resta do solar da família Pessanha, e na Carreira de Baixo o que foi a capela de Santo António, com inscrição decifrável na ombreira de um portal de mais outra construção fidalga. Um belo solar pode ver-se junto aos tanques públicos, há alminhas e fontes nas Adegas e um belo aqueduto a passar por detrás do Mortório. Subirmos ao Calvário para ter uma vista panorâmica da aldeia.

Na estrada EC. 583 em direcção a Queiriz, margem O. da Ribeira do Carapito, passada a ponte, encontramos o percurso para o Dólmen, conhecido como "Casa da Moira". Caminhando a pé, entre campos de cultivo, chegamos à ribeira, que cruzamos através da rudimentar ponte de pinheiros ou sobre as pedras. O monumento megalítico terá cerca de 6000 anos. (Neolítico final). Dólmen simples, mas de grandes dimensões, de câmara poligonal com nove esteios, sem corredor. Apresenta em dois esteios decoração com motivos solares e serpentiformes gravados. Nas matas, em frente, encontram-se mais dois dólmens de menores dimensões. Para lá chegar, é melhor tomar a estrada N 330 que segue para Penaverde e, na ponte do Espinhal, desviar por caminho de terra.

Regressamos por Carapito e tomamos a EN 226 para Peroferreiro, antiga povoação com origem em duas quintas, com os seus cruzeiros singelos e casas rurais e a Torre do Relógio, acompanhando agora o curso do Rio Távora.

No cruzamento com a EM para Lezíria surge um novo quadro paisagístico: A serra desarborizada contrasta com o viçoso vale, que se alonga até ao Rio Távora. Foi este vale, de Reguengo, pertença de fidalgo da casa de El'Rei e do labor dos seus mais antigos povoadores terá ficado a memória no Penedo da Moira. Na capela de Nossa Senhora do Pranto, ou Senhora da Piedade, séc. XVIII, existe um magnifico fresco que, por altura das Invasões Francesas, foi escondido pelo altar. Representa a morte de Jesus, acompanhada pela Nossa Senhora do Leite e São João. Fica este templo dentro da propriedade da Família Saraiva, onde se encontra nobre solar. Prosseguindo em direcção ao rio Távora, fica a Capela de Santo Antão, com o seu cruzeiro, lugar de grande romagem a 17 de Janeiro.

E tomamos a EN 226 até a Ponte do Abade, singular povoação dividida entre duas freguesias, dois concelhos, dois distritos, duas dioceses, lugar de culto da gastronomia regional e caminho de acesso ao Douro Sul, por Moimenta da Beira e Lamego. Visita-se a Igreja Matriz, a paisagem ribeirinha, espraia-se o olhar pelas matas e pomares. Em seguida, um pequeno desvio por EM   para Sequeiros,  Fontearcadinha com as fontes de chafurdo no sítio da Fonte Velha e do Vale. E para visitar Sargaçais, com a capela devotada a Santa Luzia, e na Lage, um cruzeiro esculpido na base, de 1759. É altura de voltar a Aguiar da Beira e procurar o caminho para o Santuário da Lapa.

 

 

 

 

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